Lendas, ou Lêndeas do Skate?
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Em defesa das Mulheres que mudaram a História do Skateboarding Mundial
Atualmente é alarmante o número de falsas “Associações de Skate” em Portugal que tentam criar uma narrativa fictícia de que as mulheres têm dificuldade de integração no Skate, e precisam de ser “empoderadas” porque não são bem recebidas pelos praticantes masculinos, ora nada podia ser mais falso porque as mulheres estão ativas no Skateboarding desde meados do século passado, e nós Skaters temos o orgulho de praticar o desporto mais inclusivo do planeta Terra.
Já tivémos oportunidade de abordar este tema na nossa edição “Balanço 2021”, mas decidimos agora voltar a fazê-lo de uma forma mais aprofundada, uma vez que nos últimos tempos constatámos que existem pessoas que se auto-proclamam “Lendas do Skate Português” a falar sobre este assunto mas nem sequer eram nascidas quando em 1965 já cá andava uma senhora chamada Patti McGee a skatar, mas já lá iremos mais adiante…
Ora então de um lado temos estas “Lendas” que escrevem textos por acoli e fazem comentário por acolá (e nem sequer sabem reconhecer as manobras devidamente) mas tentam enganar as crianças e os jovens para os transformar em clientes (alunos) das suas Escolas de Skate (fiscalmente ilegais).
De outro lado temos o (falso) “Empoderamento” importado do Brasil por pessoas que muito espertamente perceberam que para receber subsídios/financiamentos do Estado Português basta criarem uma “Associação Feminista” abraçando essa causa que é de facto nobre, só que como não existe esse problema no Skate então são essas próprias entidades a promover um discurso de ódio, para dessa forma justificarem a necessidade da sua existência.
Este artigo tem portanto dedicatória especial para todas e todos vós que tentam encobrir a História da Mulher no Skateboarding, ou fazer uma espécie de Revisionismo Histórico para justificar a existência das vossas “Associações”.
Não permitiremos que a História do Skateboarding mundial (em especial a das Mulheres) continue a ser deturpada para servir os vossos interesses financeiros.
Não permitiremos que inventem feminismos/machismos/homofobia no Skateboarding Português para fazerem disso o vosso emprego ou negócio que não conseguiram arranjar de outra forma.
Não permitiremos que os vossos “movimentos” criem falsos ambientes discriminatórios nos skateparks, pois todas as raças, sexos, credos, etc, sempre foram, são, e serão bem vindos.
Dito isto, vamos então começar a lição de História e falar da primeira mulher que marcou a diferença, Patti McGee.
Para muitos que pensam que quem apareceu primeiro numa capa de uma revista foi um homem, não podem estar mais enganados, foi uma mulher, Patti McGee a executar um Handstand, na revista Life que saiu em 14 maio de 1965.

Na era dos anos 70, Peggy Oki era a única mulher na team lendária dos Z-BOYS de Dogtown, chegou a ser descriminada em competição por competidoras do mesmo sexo, porque ela skatava como um homem e agressivamente como todos os Z-BOYS. Tornando-se assim a primeira mulher “shredder” no Skate mundial.

Em agosto de 1989, apareceu a Cara-Beth Burnside na capa da Thrasher Magazine a mandar um Front Side Air no Half Pipe.
Christian Hosoi chegou a dizer em várias entrevistas que ao princípio pensavam que era um homem, mas quando viram que era uma mulher, ficaram espantados com o enorme talento que ela tinha, tornando-se assim a primeira “shredder” em Vert, e primeira mulher a aparecer numa capa de revista de skateboarding.
Depois de uma carreira como profissional de Snowboarder (fez parte da primeira equipa olímpica de Snowboard dos EUA em 1998), Burnside convenceu a ESPN a acolher uma demo feminina, nos X-Games de 2002. Este foi um grande passo em frente para o skate feminino, no ano seguinte aconteceu o primeiro evento de Vert feminino dos X-Games.
Em 2005, o prémio monetário foi pela primeira vez igual para homens e mulheres, e ela foi a primeira mulher a ter um Pro Model de calçado de skate.

Em 1996 a Toy Machine, no video “Welcome To Hell”, deu-nos a conhecer a Elissa Steamer, com a sua Part completamente destrutiva de street. Em 1998 depois da Slam City Jam no Canadá, a Toy Machine deu-lhe o seu primeiro Pro Model, tornando-se assim a primeira mulher no mundo a ter uma tábua Pro Model.

Em 21 de novembro de 2009, Lyn-Z Adams Hawkins tornou-se a primeira mulher a dar um McTwist (540), no Quicksilver Tony Hawk Show em Paris.
Aos 15 anos, tornou-se a primeira mulher a skatar a Mega-Ramp e a segunda mais nova a ganhar uma medalha de ouro, nos X-Games.
Ela skata Vert, Bowl, Street e Mega-Ramp, tem oito medalhas dos X-Games, e é sem dúvida uma das melhores skaters de todos os tempos.

Hillary Thompson é a primeira skater transsexual do mundo. Aos 19 anos, começou a tomar hormonas, para se tornar uma mulher.
Skatava muito antes de começar a transição. O aumento do estrogênio nas hormonas significou um declínio na massa muscular, então teve que reaprender tricks, para se adaptar. Mas não deixaram de a aceitar por causa da mudança de sexo.

Leticia Bufoni, foi a primeira mulher skater a ter o patrocínio da Nike SB, a primeira a ter capa na The Skateboard Mag em outubro de 2015.
Em 2009, foi vencedora da Maloof Money Cup, ganhou um prêmio de 25 mil dólares, para não falar do seu historial de vitórias nos X-Games:
- 2010 Los Angeles 2° – Prata
- 2011 Los Angeles 3° – Bronze
- 2012 Los Angeles 2° – Prata
- 2013 Foz do Iguaçu 1° – Ouro
- 2013 Barcelona 1° – Ouro
- 2013 Los Angeles 1° – Ouro
- 2014 Austin Austin 3° – Bronze
- 2017 Minneapolis 3° – Bronze
- 2018 Noruega 1° – Ouro
- 2018 Sydney 2° – Prata
- 2019 Shanghai 1° – Ouro
- 2021 Los Angeles 1° – Ouro
E ainda continua a conquistar títulos nos dias de hoje, sendo uma das melhores mulheres no skateboarding mundial, é uma autêntica máquina conquistadora de títulos.

